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29.01.10

Economia melhora, mercado vê juro subir e Ibovespa cai - Thomson Reuters


Contrariando o óbvio, sinais mais fortes de superação da crise levaram as bolsas de valores mundiais para baixo em janeiro, movimento copiado pela Bovespa, que teve o pior mês desde outubro de 2008.

Os investidores enxergam o fim da farta liquidez internacional.

O Ibovespa acumulou queda de 4,65% no mês. Nesta sexta-feira, o índice cedeu 0,28%, para 65.401 pontos, e o giro financeiro da sessão foi de R$ 6,28 bilhões.

"Está havendo uma reacomodação das expectativas", resumiu o analista econômico da Mercatto Investimentos, Gabriel Goulart.

Segundo ele, os múltiplos indícios de aquecimento econômico têm sido interpretados como sinal de que os pacotes de estímulo estão cada vez mais próximos do fim.

A manutenção dos juros nos menores patamares da história foi apontada por especialistas como um dos fatores que levaram os investidores a buscar ativos de risco, como ações.

Nesse sentido, o salto de 5,7% da economia dos Estados Unidos no quarto trimestre, a maior taxa em mais de seis anos e também acima da previsão de 4,6%, deu mais combustível para os que esperam aperto monetário em breve.

Essa visão já vinha pesando no mercado desde a semana passada, quando a China tomou medidas para evitar a expansão desenfreada do crédito e, consequentemente, da inflação. Desde então, as bolsas inverteram a tendência ascendente dos últimos meses.

O principal índice europeu de ações subiu nesta sexta-feira, mas não o suficiente para evitar o pior desempenho em 11 meses.

A Bovespa, principal alvo do ingresso internacional de recursos em 2009, quando o Ibovespa deu um salto de 82,7%, também acusou a virada. Depois de terem injetado mais de R$ 20 bilhões no mercado doméstico no ano passado, os estrangeiros resgataram R$ 2 bilhões em janeiro até o dia 27.

O Brasil, tido por analistas como um dos últimos a entrar na crise e um dos primeiros a sair, também está às portas de desmontar seus programas emergenciais, como disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao confirmar que o incentivo fiscal para compra de itens como automóveis não será renovada.

"A economia está dando sinais de melhora, mas agora terá que andar com as próprias pernas e o investidor vai esperar e ver", acrescentou Goulart.

Destaques

No pregão desta sexta-feira, na esteira da queda do petróleo, em reação à alta do dólar, a ação preferencial da Petrobras recuou 1,3%, a R$ 34,17. Pior do índice, OGX tombou 4,6%, a R$ 16,80.

Ações de bancos privados domésticos, refletindo o mau desempenho setorial em Wall Street, também cederam. O pior foi Itaú Unibanco, que caiu 2,1%, a R$ 36,13.

Quem amorteceu parcialmente a pressão sobre o Ibovespa foi o setor elétrico, com os investidores repercutindo notícia veiculada no jornal "Folha de S.Paulo" de que o governo federal vai renovar as concessões do setor que vencem entre 2015 e 2020.

À tarde, o governo negou que tenha já pronta uma medida provisória sobre o tema, como afirmava a matéria, mas não reverteu totalmente a alta generalizada das ações do segmento.

O papel ordinário da Eletrobrás foi o maior destaque positivo, subindo 3,7%, a R$ 40,04. Pouco atrás, Cesp ganhou 3,5%, para R$ 23,49, depois de ter chegado a subir 12% pela manhã.