Gestor

O que é uma empresa de gestão de recursos?
 
Administração de Fundo de Investimento.

O administrador de um fundo de investimento é a instituição legalmente responsável pelos fundos de investimento perante os cotistas e os órgãos reguladores. Entre as atribuições do administrador, estão, principalmente:

Manter registros contábeis e toda a documentação relativa à constituição e às operações do fundo; contratar serviços de gestão de carteira, consultoria, controladoria, distribuição, custódia, liquidação e auditoria do fundo. 

Gestão de carteira de fundos de investimentos.

Para a atividade de decisão de investimentos, isto é, a seleção dos ativos que devem compor a carteira de determinado fundo de investimento, o administrador pode contratar uma empresa de gestão. Esta possibilidade está amparada em normativos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
 


Por que ser uma empresa independente?

Conflitos de interesse.

No processo de análise, decisão e operacionalização de um investimento, a empresa responsável pela gestão da carteira de um fundo de investimento pode envolver-se em considerações que a beneficiem, direta ou indiretamente, mas não tragam benefícios para os cotistas do fundo. Tais situações abrangem, por exemplo, a aquisição de título ou valor mobiliário diretamente do emissor ou por meio de um agente de distribuição, a compra ou venda de título ou valor mobiliário ou contrato de derivativos por meio de sociedade corretora. Em todas essas operações, há remunerações tais como corretagens e comissões que penalizam os investimentos enquanto beneficiam contrapartes. Há casos, ainda, em que decisões de investimento podem afetar as posições proprietárias de instituições financeiras (tesourarias). Tais possibilidades apresentam-se como potenciais geradoras de conflitos de interesse, uma vez que as decisões podem ser afetadas por expectativas de ganhos para outras áreas de negócio da instituição gestora ou outras empresas de um mesmo conglomerado financeiro.

A redução dos riscos inerentes a tais conflitos conduziu a um processo de separação entre a atividade de gestão de recursos de terceiros e as demais atividades conduzidas pelas instituições financeiras. A esta separação dá-se o nome de Chinese Wall. Este princípio passou a ser adotado no Brasil quando o BC publicou, em novembro de 1997, a Resolução nº 2.451, do Conselho Monetário Nacional (CMN), tornando obrigatória a criação de unidades juridicamente segregadas das instituições financeiras para o desenvolvimento da atividade de administração de fundos de investimentos. Esta separação jurídica, contudo, não elimina a possibilidade de conflitos de interesse, uma vez que os vínculos societários não permitem a total independência nas decisões de cada unidade de negócio de um conglomerado.

Empresa independente de gestão de recursos.

Para evitar que tais conflitos fossem resolvidos em detrimento dos interesses dos cotistas, a indústria de fundos de investimento nos EUA, país em que a atividade é mais desenvolvida, desenvolveu-se privilegiando a separação completa das atividades entre empresas de gestão, bancos e corretoras. Naquele país, as 10 maiores instituições voltadas à gestão de fundos de investimento não têm qualquer ligação com instituições financeiras.

As vantagens de tal configuração são evidentes, uma vez que os processo de investimento, desde a análise de expectativas de retorno e risco até sua operacionalização, passam a ser conduzidos com total isenção, livres de interesses que não o de produzir retornos satisfatórios para os cotistas dos fundos dentro de limites adequados de risco. Desde a seleção de corretoras e outros agentes intermediários, passando por compra de títulos de emissão por instituição financeira, compra de valores mobiliários em operações de underwriting e qualquer outras negociação envolvendo ativos que possam integrar as carteiras das   instituições financeiras, as operações transcorrem sem que interesses alheios aos dos cotistas sejam contemplados.

Outro aspecto a ser considerado é o fato de que a inexistência de vínculos entre a empresa de gestão e a instituição responsável pela controladoria elimina a possibilidade de fraude na precificação dos ativos integrantes da carteira de um fundo de investimento, bem como de reprocessamento de lançamentos para conveniência de uma carteira em detrimento de outra.

A estrutura funcional é a melhor segurança que um investidor pode encontrar em um fundo de investimentos, posto que, por força dos normativos que governam o funcionamento dos fundos, nenhuma instituição pode oferecer garantias aos cotistas. A segurança do cotista está na arquitetura do negócio e não no porte da instituição que o quer como cliente.